Derrame pleural

Publicado 09/12/2013
 
A pleura é uma membrana delicada que envolve os pulmões, é altamente vascularizada, inervada e exerce função importante na mecânica respiratória. A pleura possui dois folhetos, um deles aderido ao tecido pulmonar, chamado de pleura visceral e outro aderido à parede torácica, a pleura parietal. Os movimentos inspiratórios e expiratórios são facilitados pelo deslizamento de uma pleura sobre a outra na presença de um líquido lubrificante em pequena quantidade. O espaço entre uma pleura e outra em condições normais, é virtual e imperceptível aos olhos humanos mesmo através de exames de imagem altamente tecnológicos disponíveis atualmente.

O excesso de líquido no espaço pleural é chamado de derrame pleural e difere conceitualmente do que muitas pessoas acreditam ser a famosa “água nos pulmões”. O termo “água nos pulmões” está relacionado à outra condição clínica que pode estar associada ao derrame pleural a exemplo da insuficiência cardíaca. Comentaremos sobre “água nos pulmões” em outro post em breve.

Insuficiência cardíaca, pneumonia, tuberculose, câncer, doenças inflamatórias sistêmicas (exemplo: lúpus, artrite reumatóide), pancreatite, trauma, infecção viral, doença hepática, doença renal, entre outras doenças podem causar derrame pleural. Frequentemente o diagnóstico dessas doenças é confirmado através da análise do líquido pleural. É isso mesmo, o líquido pleural pode ser colhido por punção com seringa e agulha através da caixa torácica, procedimento chamado toracocentese e realizado com frequência em unidades de saúde sem a necessidade de grandes recursos.

O diagnóstico da presença de derrame pleural é puramente clínico e confirmado com exames de imagem da cavidade torácica como uma simples radiografia (“chapa dos pulmões”) ou tomografia do tórax. Como citado acima, a punção do líquido pleural é muito importante na elucidação diagnóstica, no entanto a história e o exame físico são determinantes insubstituíveis na formulação da hipótese diagnóstica e organização do raciocínio clínico. Os principais sintomas referidos são falta de ar e dor torácica ao respirar, associados ou não aos sintomas próprios da doença causal, a exemplo da febre em casos de pneumonia, emagrecimento nos casos de câncer e dor articular nos casos de artrite reumatoide.

Além dos exames bioquímicos e de imagem, é possível realizar biópsia do tecido pleural e submeter os pacientes à visualização direta da cavidade pleural através de um exame chamado vídeopleuroscopia. Nesse exame reservado para casos especiais, uma câmera é introduzida no espaço pleural através da caixa torácica viabilizando a coleta de material do lugar mais adequado sob visualização direta.

O tratamento do derrame pleural é direcionado para o tratamento da causa de base, sendo algumas vezes necessária a drenagem concomitante do líquido pleural. Nem todo derrame pleural necessita de drenagem, isso porque muitas vezes regride e até desaparece com o tratamento da doença de base. Sangue devido a trauma e acidentes de punção e pús sempre devem ser drenados.