Tratamento da disfunção sexual

Publicado 20/10/2013
 
Uma dúvida muito frequente na rotina do cardiologista é se pessoas com problemas cardiovasculares podem usar medicamentos para tratamento da disfunção erétil. Esse tema é quase um tabu e como vimos no post anterior há grande relação entre doenças cardiovasculares e disfunção erétil, principalmente a disfunção erétil de causa orgânica vascular.

O tratamento das pessoas com doenças cardiovasculares e disfunção erétil provavelmente tem um enfoque bidirecional, ou seja, tratar as doenças cardiovasculares e seus fatores de risco melhora os sintomas sexuais e por outro lado tratar a disfunção erétil pode beneficiar alguns aspectos da doença cardiovascular. Na verdade estabelecer uma relação médico-paciente confiável e sólida é a melhor maneira de quebrar esse tabu para expor os problemas de forma clara e planejar o tratamento mais adequado.

Mudança do estilo de vida com intuito de diminuir o risco cardiovascular causa impacto positivo na função erétil, isso implica em atividade física regular, reeducação alimentar, controle do peso e interrupção do tabagismo. Medicamentos frequentemente usados no tratamento das doenças cardiovasculares devem ser mantidos, otimizados e apesar de muitos não saberem, esses medicamentos podem até melhorar a função sexual. Entretanto é prudente evitar alguns que sabidamente pioram a função erétil, como é o caso de alguns diuréticos e betabloqueadores antigos. Aí vai uma dica, caso a disfunção erétil apareça muito tempo após o início das medicações cardiovasculares, provavelmente não há relação de causa e efeito entre elas.

No fim do século 20, mais precisamente em 1999 surgiu o Sildenalfil (Viagra®), um potente dilatador dos vasos que revolucionou o tratamento da disfunção erétil por ser seguro e eficaz. Para acabar com a dúvida de muitos, esse medicamento pode ser utilizado por cardiopatas sempre com prescrição médica, exceto em situações especiais. Por ser um potente dilatador dos vasos possui interação positiva com as medicações cardiovasculares e efeitos colaterais importantes são mínimos. No entanto, a associação com nitratos (medicamento que dilata os vasos, e que possui indicação precisa) pode causar queda importante da pressão arterial e consequências indesejáveis. Pessoas que fazem uso de nitratos e as que possuem limitação física funcional, em que o esforço do ato sexual exceda tal limitação, não devem usar o Sildenafil e seus similares.

Devemos lembrar da discussão do post anterior, a disfunção erétil de causa orgânica vascular é um marcador de eventos cardiovasculares maiores e por isso o objetivo principal deve ser diminuir o risco deles ocorrerem. O aumento na incidência desses eventos (infarto, AVC, obstrução das artérias periféricas, necessidade de cirurgia de ponte de safena) se dá em média após 3 anos dos sintomas sexuais se iniciarem, dando excelente janela de oportunidade para intervenções preventivas. Insistir no estilo de vida adequado, usar as medicações conforme prescrição médica e interromper o tabagismo parece ser o caminho. Esquecer isso e querer melhorar a função erétil fazendo uso indiscriminado de medicamentos como o Sildenafil, prática comum já que não é necessária prescrição médica para aquisição nas farmácias, pode até antecipar um evento por vezes fatal. Recomendamos sempre a promoção da saúde em conjunto com seu médico clínico e o tratamento das comorbidades. Caso desenvolva sintomas sexuais negativos converse com seu médico e em conjunto estabeleçam o melhor tratamento.